43% dos servidores públicos do RN adoeceram em função do endividamento causado por atrasos salariais

POR ADUERN, 26/10/2020

Estudo realizado por docentes de Uern e Ufersa atestou grave quadro de empobrecimento do funcionalismo potiguar

Uma pesquisa realizada pelos professores Auris Martins e Rosângela Queiroz, docentes do departamento de ciências contábeis da UERN, Prof. Dr. Pablo Marlon Medeiros da Silva (Ufersa) e Prof. Dr. Alan Martins de Oliveira (Ufersa) , em parceria com as estudantes Brena Samara de Paula, Gérsia Loênia Xavier Morais e Rayane Louise Nascimento De Moura, revelou a grave situação vivida por boa parte dos servidores públicos do Rio grande do Norte desde que o estado deixou de pagar os salários em dia, em janeiro de 2016.

O estudo, intitulado “Mensuração do endividamento e prejuízos financeiros dos servidores públicos estaduais provocados pelos sucessivos atrasos salariais promovidos pelo Governo do Estado do Rio Grande do Norte nos anos 2016, 2017 e 2018”, traça um complicado panorama de empobrecimento e piora nas condições de vida de trabalhadores e trabalhadoras de diversas categorias.

A pesquisa entrevistou 361 servidores. Desses, 84% são servidores da ativa, 72% não tinham nenhuma outra fonte de renda além do serviço público, e a maioria estava há mais de 30 anos trabalhando para o Estado.

Dentre os pontos apresentados pelos docentes na pesquisa, destaca-se o alto número de servidores e servidoras que alega ter adoecido após o atraso no pagamento dos salários. Cerca de 43% dos entrevistados afirmaram que a falta de pagamento contribuiu para o surgimento de doenças. As principais queixas se deram em relação a enfermidades psicossomáticas, como ansiedade e depressão.

Outro ponto que chamou a atenção dos pesquisadores diz respeito à perda de patrimônio dos servidores e servidoras do estado. De acordo com os resultados do estudo, quase 40 % dos trabalhadores e trabalhadoras tiveram de vender bens pessoais para quitar dívidas e 65% contraíram algum tipo de empréstimo formal ou informal para honrar os compromissos.

O professor Auris, um dos idealizadores da pesquisa, destaca que os resultados da pesquisa são considerados assustadores, em especial pelo quadro de superendividamento do funcionalismo potiguar e do tempo necessário para que a situação seja normalizada.

“Podemos observar que 47% dos servidores públicos estão ‘superendividados’, ou seja, atingiram um quadro de desorganização financeira profunda que mexe em todas as camadas estruturais da vida e precariza as condições básicas de sobrevivência. Através da pesquisa, percebemos que 40% dos servidores levará pelo menos dois anos para se reorganizar financeiramente e os outros 60% levará de 3 a 5 anos para rearticular suas contas”, comenta.

A Presidente da ADUERN, Patrícia Barra, faz destaque para um fato importante e que modifica totalmente a percepção acerca do quadro de endividamento dos funcionários públicos do Rio Grande do Norte. Ela relembra que os atrasos, iniciados em 2016, ainda não foram resolvidos e que vários fatores vêm contribuindo para o empobrecimento das categorias.

“”Ainda temos duas folhas salariais a receber, fora isso boa parte das categorias não sabe o que é um reajuste salarial há pelo menos uma década. A pandemia também agravou esta situação, pois muitos servidores e servidoras precisaram gastar mais com planos de saúde e medicamentos e perderam parte de seus vencimentos ou fontes de renda extras”.

“Só pagar os salários atrasados não resolverá a crise vivida pelos servidores públicos”

O docente Auris Martins faz uma importante consideração acerca da situação vivida pelos servidores públicos. Na avaliação do pesquisador somente o pagamento dos salários que permanecem atraso não resolverá a crise vivida pelo funcionalismo público e nem ajudará na melhoria da economia estadual.

Estamos, desde janeiro de 2016, sem receber nossos vencimentos em dia. Hoje, por mais que tenhamos um calendário fixo de recebimento dos salários, ainda aguardamos pelo pagamento de duas folhas. Além disso, tivemos a pandemia e a inflação destes anos contribuindo para o achatamento de nossos salários. É fundamental que o governo apresente uma política de valorização do funcionalismo público e mecanismos que auxiliam e facilitem o pagamento de dívidas e a celebração de convênios”, avaliou Auris.

Confira AQUI  o resumo dos principais pontos da pesquisa 

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