A nova Petrobras

Repúblico artigo de José Dirceu – publicado no blog do Zé, artigo publicado no Blog do Noblat em 09 de abril de 2010

Tanto o balanço de 2009, como a previsão de investimentos para o quadriênio 2010-2014 não deixam dúvidas sobre os avanços que a Petrobras alcançou durante o Governo Lula. É incontestável prova de que é possível administrar bem uma estatal deste porte quando há interesse político do governo em fazê-lo. A Petrobras torna inevitáveis as comparações do Governo Lula com os oito anos de Fernando Henrique Cardoso, em que o sonho do tucanato era privatizá-la.

A diferença primordial entre os dois governos está na visão de futuro e na estratégia política, que definem claramente os papéis e objetivos das empresas públicas, conduzindo suas administrações de forma eficiente e profissional.

Com FHC e os demo-tucanos, o objetivo central era a privatização da Petrobras, com a entrega do petróleo —e do nosso mercado de gás, combustíveis e derivados— a empresas privadas estrangeiras. A resistência popular e das oposições impediu a privatização.

Com Lula e o PT, a Petrobras voltou-se não apenas para o desenvolvimento de pesquisas, prospecção e exploração do petróleo, mas para contribuir decisivamente com a consolidação no Brasil de uma indústria de petróleo e gás e de máquinas e equipamentos.

O resultado está nos números de 2009: a empresa é hoje líder na prospecção e exploração de petróleo em águas profundas. O lucro líquido foi de R$ 28,982 bilhões, sendo que no quarto trimestre chegou a R$ 8,129 bilhões (11% maior que o registrado no terceiro trimestre). São números excelentes, que elevaram a Petrobras do posto de quinta empresa de capital aberto mais lucrativa nos EUA e América Latina em 2008 para a segunda, segundo a consultoria Economatica.

Em 2009, a produção total de petróleo e gás natural da Petrobras cresceu 5% em relação a 2008, chegando agora à média de 2,526 millhões de barris/dia, resultado ajudado pelo aumento na produção das plataformas P-52 e P-54 no campo de Roncador e da P-53 em Marlim Leste. A produção maior e a queda na importação de derivados do petróleo permitiu saldo comercial positivo de 156 mil barris/dia (US$ 2,9 bilhões).

Mas a Petrobras não para por aí. Se investiu R$ 70,757 bilhões no ano passado, volume recorde na história da empresa, a previsão para o período 2010-2014 é de algo em torno de US$ 200 a US$ 220 bilhões. Caso sejam incluídas as iniciativas do PAC 2 (segunda fase do Programa de Aceleração do Crescimento), o montante chega a R$ 264,8 bilhões.

A empresa informa que seus principais projetos estão ligados ao pré-sal: desenvolver infraestrutura à exploração das reservas, ampliar e modernizar o parque de refino, desenvolver petroquímicos e fertilizantes, gás natural liquefeito, em alcooldutos e expandir a malha de gasodutos —que acaba de receber o Gasene (gasoduto que liga as Regiões Sudeste e Nordeste).

Os reflexos desse novo patamar da Petrobras são fundamentais ao país: produção de plataformas e sondas no Brasil, ampliação das refinarias e expansão da empresa às áreas não apenas de etanol e biocombustivel, mas de petroquímica e fertilizantes, setores reestruturados sob a liderança da Petrobras.

No entanto, merece destaque a forte expansão da indústria naval, a reboque do crescimento da Petrobras e das perspectivas de investimento para os próximos anos. Há hoje nove novos estaleiros, entre aprovados e em funcionamento. Além disso, o FMM (Fundo de Marinha Mercante), de financiamento de longo prazo para o setor, estuda a implantação de mais estaleiros, de olho nas demandas criadas pela Petrobras e pelo PAC 2.

Até 2009, esse boom da indústria naval recebeu aporte de cerca de R$ 15 bilhões do Governo Federal, revertidos em embarcações, estaleiros e navios. Os nove projetos voltam-se aos Estados do Amazonas, Bahia, Ceará, Alagoas e Rio de Janeiro, o principal pólo naval do país.

O crescimento do setor deve-se à demanda gerada pelo pré-sal aliada à política de estabilidade e desenvolvimento da economia e ao PAC. No último balanço do programa, constam 218 embarcações e dois estaleiros, totalizando R$ 11,2 bilhões. O PAC 2 prevê investimentos em hidrovias e portos interiores, em iniciativa inédita nos últimos dez anos no país.

Destaque para as eclusas do Tucuruí, obra símbolo da política de transporte aquaviário, iniciada há 28 anos, mas que foi este Governo que teve coragem e empenho para concluir. Com as eclusas, teremos condições de investir em modais de transportes mais econômicos e menos poluentes.

Por tudo o que tem feito e conquistado, a Petrobras passa a ser uma empresa líder do setor de energia, a vanguarda da modernização tecnológica brasileira e artífice da reestruturação do setor industrial. É como se fosse uma nova empresa. E essa nova condição só foi possível com a decisão política do governo de direcionar a Petrobras nessa direção.

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