Educação e combate à desigualdade

Da Redação

Há uma década o Brasil iniciou uma profunda transformação ao fixar que sua prioridade era reduzir a desigualdade a partir do crescimento econômico pautado na formação de um mercado interno de massas.

Os números desse período são reveladores quanto ao êxito das políticas adotadas: em 2003, a população brasileira se dividia em 32% de excluídos, 22% classe média baixa, 20% classe média intermediária, 16% classe média alta e 10% de classe alta; em 2011, esses percentuais eram, respectivamente, de 28%, 18%, 26%, 19% e 9%.

Ou seja, em dez anos, diminuímos a desigualdade, retirando 21 milhões da linha da pobreza extrema.

Tal transformação social se sustentou no aumento da renda da população, decorrência de políticas específicas de transferência de renda e de valorização salarial, que permitiram às camadas mais baixas da sociedade acessar bens de consumo básicos.

Uma das consequências positivas desse movimento é a geração de altos índices de empregos com carteira assinada, que alimentam o ciclo positivo que se formou com a ampliação da renda e do poder aquisitivo.

De fato, renda mais elevada e acesso a bens de consumo são fatores de redução da desigualdade.

Já defendi a importância de ampliarmos os investimentos em educação, ciência e tecnologia e inovação, sem os quais não completaremos esse ciclo virtuoso em formação.

Afinal, nosso desenvolvimento requer, cada vez mais, qualificação profissional. No entanto, o que sabíamos em teoria ficou cristalino com os dados de pesquisa Datafolha divulgada há poucos dias: o nível e a qualidade da educação é fator decisivo para ampliar o combate à desigualdade, favorecendo a mobilidade social, e também para proteger a população nos momentos de oscilação econômica, pois representa diferencial nas estratégias para lidar com as crises.

A pesquisa mostra que 77% da classe alta têm nível superior de escolaridade, enquanto que 99% da classe média baixa têm apenas o nível fundamental completo.

Os números são retumbantes. Quase que sentenciam que, sem curso superior, jamais se chega à classe alta.

Ciente de que a educação é um dos eixos do desenvolvimento social, o governo Lula investiu como nunca: entregou 126 campi universitários federais, 214 escolas técnicas e 552 polos de educação a distância.

Colheu também melhorias no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). Aperfeiçoou o Enem e criou o ProUni como meios de acesso ao ensino superior.

Portanto, o que a pesquisa Datafolha confirma é que a condução das políticas socioeconômicas na última década foi acertada, permitindo reduzir as desigualdades.

Mas revela também que nosso caminho rumo a uma sociedade mais justa e igual depende do aprofundamento da diretriz de melhorar e ampliar a estrutura de educação pública ao mesmo tempo em que qualificamos o ensino.

Ou seja, aproximar a educação dos investimentos em tecnologia e inovação – por isso, o lançamento do Pronatec e do Proinfância. Esse é o norte que o Brasil precisa e, felizmente, é o caminho que o governo Dilma Rousseff tem trilhado.

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José Dirceu é advogado e ex-ministro da Casa Civil e membro do Diretório Nacional do PT

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