História de Luiz Maranhão será narrada em série documental a ser lançada em novembro

POR SINSP/RN, 09/09/2021

A rica história de Luiz Ignácio Maranhão Filho tem momentos até hoje ocultos, que nunca foram revelados publicamente nem mesmo durante a intensa busca da Comissão Nacional da Verdade, que busca responder questionamentos da triste época da ditadura. Tentando preencher lacunas sobre o advogado, professor, jornalista e comunista Luiz Maranhão o cineasta e historiador Rômulo Sckaff está produzindo uma série documental para narrar quem era e qual foi o destino de Luiz Maranhão.

“É basicamente uma série que estamos produzindo. Em 5 episódios vamos falar quem foi esse Luiz, um cara sempre alegre, sempre com uma mensagem de união, que tinha um diálogo muito forte com a juventude, com a igreja, e com os movimentos em geral. Um Potiguar de primeira grandeza, capaz de orgulhar a todos pela sua erudição e simplicidade”, explica o diretor Sckaff.

A série deve ser lançada em novembro deste ano, com diversas exibições ainda a serem divulgadas, até mesmo na escola municipal de Natal que leva o nome de Luiz. Inclusive, esse mesmo local apesar de levar o nome do advogado e político, até este ano não tinha nenhuma imagem do patrono. Erro histórico que foi consertado pela Comissão Centenária de Luiz Ignácio Maranhão Filho.

“A comissão entregou duas fotos do patrono da escola, em uma cerimônia com a presença da secretaria de educação Justina Iva, o presidente da Comissão Roberto Monte, professores, a gestão da escola e a família de Luiz Maranhão representada por Alexandre Maranhão. Na ocasião foi bem lembrado o período que Luiz foi Professor do Atheneu e da extrema erudição do militante político, ele que até hoje é um desaparecido pela ação sobrestado brasileiro em um período de extrema violência ao pensamento diverso, foi também lembrado pela sua interlocução com a igreja católica, Luiz que sempre presou pelo diálogo e pelo respeito ao divergente”, lembrou o diretor que esteve presente no momento da entrega.

Série nasce da necessidade de contar a história do militante

Rômulo Sckaff explica que após muita pesquisa sobre a vida de Luiz Maranhão sentiu que ainda havia muito a ser explicado sobre a trajetória do ativista, principalmente sobre a sua morte.

“Tudo que levantamos acaba em 1964 com o golpe civil militar. Daí em diante, muito pouco se sabe sobre Luiz, onde foi, o que fez…. Aí nasce a necessidade de procurar Luiz, descobrir o que aconteceu com ele”, disse o diretor que procurou a família e pessoas ligadas ao comunista para entender quais foram os passos ainda não mostrados sobre sua vida.

Dentre trechos ainda escondidos sobre a trajetória de Luiz Maranhão, o cineasta encontrou registros da época que ele foi o articulador da Frente Amola, que tentava trazer Juscelino Kubitschek, Lacerda e Jango de volta à presidência do Brasil.

Também foi descoberto que o ex-governador Aluízio Alves, que era um dos que perseguia Luiz Maranhão no Rio Grande do Norte, se uniu ao comunista durante uma reunião no Rio de Janeiro. “Em uma reunião da frente ampla no Rio de Janeiro, ao descobrir que Luiz estava ficou reticente de participar, Luiz prontamente foi até a porta e pediu que ele entrasse, pois a luta era maior, é a ditadura precisava ser derrotada, o passado não poderia ser motivo de divisão”, contou Rômulo Sckaff.

Documentário realizou dezenas de entrevistas

Dentre os tantos que emprestaram suas vozes para narrar o passado de Luiz Ignácio Maranhão estão Maria Ribeiro Prestes, José Sales, Marcos Quintanilha, Wadih Dmaous, da Comissão da Verdade do Rio de Janeiro, Sérgio Gomes, que foi presidente do DCE da USP na década de 1970, além de Marcelo Godoy, jornalista e uma das pessoas que mais pesquisou sobre DOI-CODI, órgão de repressão durante a ditadura, ligado ao exército.

“Fizemos viagens e conversamos com essas e outras importantes pessoas para descobrir que foi Luiz Maranhão e qual o possível paradeiro dele”, finaliza o diretor da série documental.

Sobre Luiz Maranhão

Advogado, Professor do Atheneu Norteriograndense, da Fundação José Augusto e da Universidade Federal do RN, jornalista, colaborou com diversos jornais do Estado, particularmente com o Diário de Natal. Escreveu vários artigos sobre questões sociais para a Revista da Civilização Brasileira. Membro do Partido Comunista Brasileiro (PCB), tendo sido eleito para o seu Comitê Central no VI Congresso do partido em 1967. Preso em 1952 pela Aeronáutica em Parnamirim, foi brutalmente torturado, constituindo essa saga vivida por Luís, um capítulo do livro A História Militar do Brasil, de Nélson Werneck Sodré.

Em 1958 foi eleito Deputado Estadual, pela legenda do Partido Trabalhista Nacional (PTN), desempenhando o mandato até 1962. No início de 1964, a convite de Fidel Castro visita Cuba. Com o golpe militar de abril do mesmo ano, Luiz foi preso e, novamente, submetido à tortura. Permanece preso até fins de 1964. Libertado, imediatamente passou à clandestinidade, no Rio de Janeiro. Durante o período de vida clandestina, Luiz Maranhão Filho, atuou em diversas missões e comissões partidárias. Era importante elo de ligação nos contatos do partido com a Igreja Católica e políticos de oposição legal.

Circunstâncias e Morte

Luiz Maranhão foi preso no dia 03 de abril de 1974 numa praça em São Paulo, capital. Pessoas que presenciaram a cena, informam que ele foi algemado e conduzido num transporte de presos pelos agentes do DOI-CODI do II Exército. A ditadura militar jamais reconheceu a prisão do militante político; foi incluído no rol dos desaparecidos. Em 1993 o ex-agente do DOI-CODI, Marival Chaves, em entrevista à Revista Veja, disse que LuIZ fora trucidado pelos órgãos de segurança da ditadura militar; seu corpo não foi localizado.

Sobre o diretor

Romulo Sckaff é cineasta e historiador, diretor-geral do FINC e diretor da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas do Rio Grande do Norte – ABDeC/RN.

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