Não ao retrocesso

NÃO PODEMOS ACEITAR O RETROCESSO
Republico matéria do site da CUT, 25/04/2010 (link ao lado)

Quintino Severo, secretário geral da CUT Nacional

Este mês de abril trouxe duas excelentes notícias sobre o emprego e a distribuição de renda para o povo brasileiro.

Primeiro, a geração de empregos no mês de março atingiu o número de mais de 266 mil novos empregos. Este resultado marcou o terceiro mês consecutivo de recorde de geração de empregos e o melhor primeiro trimestre da história, com 657 mil novos postos de trabalho com carteira assinada. Em março, dos setores e subsetores de atividade econômica, conforme o Ministério do Trabalho e Emprego – MTE, 25 expandiram o nível de emprego, sendo que 15 deles exibindo saldos recordes.
Caged/MTE (cadastro geral de empregados e desempregados) de março mostrou ainda o crescimento do salário médio de admissão, com um aumento real de 4,37% em relação ao mesmo trimestre de 2009. Passou de R$ 782,53 em 2009, para R$ 816,70 em 2010. E estudo sobre o mercado de trabalho no Brasil, divulgado pelo Dieese, mostrou que entre 2003 e 2009 foram criados mais de 12 milhões de empregos formais.

Em segundo lugar, a proporção de brasileiros e brasileiras vivendo abaixo da linha da miséria caiu expressivos 43% desde 2003. As classes D e E encolheram de 92,9 milhões de pessoas (2003) para 66,8 milhões em 2009. Por outro lado, as classes A/B passaram de 26,4 milhões para 30,2 milhões de pessoas no mesmo período. A renda média das famílias ficou em R$ 1.285,00.

A renda familiar per capita cresceu em ritmo maior que 5% ao ano. Entre os 10% mais pobres ela cresceu 15,4%; entre os 10% mais ricos, 3,7%. Entre outras políticas, o papel do aumento real do salário mínimo (53,67% entre 2002 e 2010) foi fundamental.

São números significativos. É verdade que tanto a geração de empregos formais, o combate ao desemprego, como a distribuição de renda e a diminuição da pobreza, ainda estão aquém do que precisamos. Mas, sem sombra de dúvida, demonstram um caminho que a CUT sempre defendeu, que é o do desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do trabalho, expresso em nossa Plataforma da Classe Trabalhadora para as Eleições de 2010.

Este quadro demonstra a viabilidade e a necessidade da redução da jornada de trabalho sem redução de salários, campanha que a CUT desenvolve em conjunto com as demais Centrais Sindicais. Com esta compreensão, estaremos no dia 18 de maio nas ruas de todo o Brasil realizando o dia nacional de mobilizações e paralisações, para pressionar pela redução constitucional da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.

Porém, estas conquistas estão sob ataque cerrado das forças do retrocesso.

O execrável FMI, guardião do receituário neoliberal que nos levou à crise mundial de 2008 e 2009, divulgou estudo onde aponta para um possível “superaquecimento” da economia brasileira, com um risco de descontrole da inflação e do que entendem de finanças públicas. A solução apontada pelo FMI é a mesma de sempre: arrocho na produção e no emprego, mais juros para conter o crescimento.

A inefável Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou o que eles chamam de Índice de Confiança do Empresário Industrial. O índice que mede a expectativa dos patrões na economia ficou 0,8 ponto menor em relação ao mês de março. Segundo a CNI, este foi o terceiro mês consecutivo em que o ICEI caiu.

Cantando nesta toada, o COPOM, que se reunirá em 27 e 28 de abril, sob aplauso dos economistas neoliberais que inundam a mídia, aponta também para um possível aumento das nossas estratosféricas taxas de juros.

O FMI, os patrões, a mídia e seus economistas neoliberais demotucanos não deixam margem à dúvida. O ano de 2010 representa um acirramento da disputa de projetos para o Brasil.

Não podemos retroceder no caminho das mudanças. Toda a militância cutista deve se engajar na divulgação e no debate das nossas propostas expressas na Plataforma da Classe Trabalhadora para as Eleições de 2010, que será lançada oficialmente em nossas manifestações do 1º de maio.

E no dia 01 de junho, na cidade de São Paulo, as Centrais Sindicais aprovarão em assembléia nacional uma pauta unificada, sintetizando nossa unidade pelo desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do trabalho, em contraponto ao retrocesso neoliberal dos anos FHC.

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