País perde 400 mil alunos no ciclo básico

Da Redação

O Censo da Educação Básica de 2011, que começa a ter as primeiras informações divulgadas hoje pelo Ministério da Educação (MEC), mostra que o total geral de matrículas nas escolas públicas e privadas do país caiu em relação a 2010, queda concentrada nos anos iniciais do ensino fundamental. Nessa etapa (1ª a 4ª séries), o país perdeu quase 400 mil alunos na passagem de 2010 para 2011, fechando o ano passado com 16,360 milhões de matrículas.

No total, o Brasil fechou 2011 com 50,972 milhões de matrículas em todos os ciclos da creche ao ensino médio, passando por educação de jovens e adultos e portadores de deficiência e cursos técnicos. O número representa queda de 1,1% em relação ao ano anterior, quando as matrículas somaram 51,479 milhões.

No total do ensino fundamental, a queda de alunos matriculados chegou a 2,1%, somando 600 mil, dos quais 400 mil na primeira etapa. “É um dado natural, a população brasileira de seis a dez anos vem caindo há cinco anos. O importante é notar que também está havendo uma correção do fluxo escolar nesse ciclo, com mais crianças na escola na idade certa”, disse o ministro da Educação, Fernando Haddad. A diretora-executiva do movimento Todos pela Educação, Priscila Cruz, lembra que entre 2010 e 2022 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta queda de 20% da população de seis a 14 anos.

Em faixas etárias com menor impacto demográfico, caso dos jovens de 15 a 17 anos, as matrículas ficaram estáveis, passando de 8,357 milhões para 8,400 milhões de 2010 para 2011. “A evasão nesse ciclo é muito grande, o que explica essa estagnação. As matrículas no terceiro ano do médio são bem menores que as do primeiro. O jovem não se sente estimulado na escola e escolhe trabalhar para ganhar seu dinheiro, ainda mais em momentos de mercado de trabalho aquecido e economia aquecida”, diz Priscila.

Para Haddad, a analogia da especialista em educação está correta. “Na educação profissional, as matrículas cresceram 10% em 2011. Com o Pronatec, vão crescer muito mais até 2014”, prevê, se referindo ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego. Em 2011, as matrículas na educação profissional atingiram 1,250 milhão, diante de 1,140 milhão em 2010. Só nas escolas técnicas federais, o crescimento foi de 15%. “É um dado que mostra a preferência do jovem pela educação profissional e justifica os investimentos. Mas as matrículas deveriam estar aumentando porque os recursos para o ensino médio aumentaram desde a criação do Fundeb em 2007 e a partir de 2016 o ensino médio passa a ser etapa de ensino obrigatória”, avalia Daniel Cara, coordenador da Campanha Nacional pelo Direito à Educação.

As matrículas em creche registraram o melhor desempenho, com crescimento de 11,3%, passando de 2,064 milhões em 2010 para 2,298 milhões no ano passado. “É um crescimento positivo, mas a demanda não atendida ainda é enorme. O crescimento das matrículas não pode ficar só nas promessas, principalmente em época de campanhas eleitorais municipais”, complementa Priscila Cruz.

Fonte: Valor Econômico
Por Luciano Máximo | De Brasília

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