Reforma é necessária, mas docentes não estão preparados

Da Redação

O MEC vai agrupar as treze disciplinas em apenas quatro áreas

As disciplinas serão agrupadas em áreas

Por conta do baixo desempenho dos estudantes do ensino médio no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), o Ministério da Educação (MEC) está propondo um novo currículo do ensino médio, onde as atuais treze disciplinas serão integradas em quatros áreas do conhecimento.

O novo modelo toma como base o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e com a nova mudança, alunos da escola pública e particular terão, ao invés de aulas específicas de biologia, física e química, atividades que integrem estes conteúdos em ciências humanas, ciências da natureza, linguagem e matemática.

A equipe do Portal Infonet procurou conversar com alguns professores para saber sobre essa nova proposta do MEC. Para o professor da rede pública e particular de ensino Alexandre Santos, a mudança é necessária, no entanto, é preciso adequar essa reforma ao que se tem atualmente.

“O professor não está preparado para essa reforma. O professor foi formado dentro desse esquema técnico. Então, no meu caso, eu sou professor de literatura, o professor de literatura domina literatura, mas teoricamente não dominaria gramática, linguística e produção de texto. O professor que não tem esse domínio é um aleijado, não é professor de literatura, então isso tudo decorreu da estrutura de ensino que nós temos no segundo grau e até mesmo na universidade”, afirma.
Para Alexandre Santos, o docente não está preparado para o novo desafio

Ainda de acordo com o professor Alexandre Santos, é preciso capacitar o docente, uma vez que ele não está preparado para enfrentar esse novo desafio que o governo quer impor. “São poucos os professores no Brasil que estão preparados hoje para preparar provas, para dar aulas para o Enem, quanto mais ser submetido a esse ensino em quatro áreas. É preciso preparar esse professor primeiro e isso tem que começar lá na universidade. Esse professor sai formado para daqui a quatro, cinco, seis anos enfrentar essa nova realidade”, acredita.

Quem também defende a tese de que é preciso preparar o professor é a presidente do Fórum Nacional dos Conselhos Estaduais (FNCE), Francisca Batista da Silva. “Eu acho que essa iniciativa vem ajudar realmente, mas esse parecer foi aprovado e ainda nem todos os estados estão trabalhando essa proposta. De um modo geral há uma necessidade muito grande de que se reformule os currículos de formação de todas as áreas, mas primeiro precisa se investir no professor para ele poder ajudar a escola a vencer todos os desafios que a escola tem”, garante Francisca.

Ensino
Maria Izabel Ladeira esclarece que as disciplinas não serão eliminadas

Para o professor Alexandre Santos, essa nova metodologia vem para beneficiar o aluno da escola pública. “A prova do Enem é fácil, mas para quem tem vivencia, quem tem vida. A prova privilegia pessoas que gostam de ler, que sejam curiosas, que gostam de arte. Então o que acontece, os meninos da escola pública tem mais vivencia do que os da escola particular, a diferença é a questão econômica e social. Os meninos da escola particular têm acesso aos bens culturais, a internet. Já o menino de escola pública tem uma vivencia muito grande porque ele sofre na pele os problemas sociais e o Enem leva você a conhecer esses problemas”, diz o docente.

SEED

A diretora do Departamento de Educação da Secretaria de Estado da Educação (SEED), Maria Izabel Ladeira Silva, esclarece que a inserção desse novo método não vai eliminar as disciplinas existentes, mas buscará uma maior integração entre essas disciplinas.

“Nada impede que o professor de geografia ministre conteúdo de história e o de história de geografia e as disciplinas dialogarem entre si. Não é que as disciplinas vão acabar. O ministério pede apenas que haja integração, agora como isso vai se dar é que está sendo discutido no Brasil inteiro. Inclusive, está sendo proposto o aumento da carga horária do ensino médio e que sejam incluídas outras disciplinas como iniciação cientifica, trabalhos comunitários, dentre outros. Então, isso é uma discussão que está ocorrendo hoje, mas que ninguém se assuste pensando que de repente agora o currículo do ensino médio vai ter o professor de ciências humanas, isso não vai existir. O professor vai continuar sendo de história, geografia, só que as disciplinas tem que conversar entre si”, explica Maria Izabel.

Para a docente, o que o MEC quer é tornar obrigatório essa integração. “Então, a integração só vai ser possível na medida em que os professores entenderem que precisam dialogar, que as disciplinas precisam dialogar entre si. Esse método já está valendo esse ano, agora a discussão de formatar a integração é um processo que vai requerer um certo tempo e que depende muito mais da iniciativa dos professores de promover essa integração internamente”, afirma

No entendimento da professora, esse novo processo somente poderá dar certo caso haja uma discussão entre gestores, professores e alunos. “Acho que primeiro a escola tem que discutir o seu currículo como é que quer, como é que vai ser, agora isso não pode fugir da legislação. Eu não creio que o MEC vá lançar nenhum decreto obrigando que se faça a integração. O MEC vai lançar a discussão, criar fórum e mecanismos de participação para ver se a escola assimila melhor esses conceitos que a gente chama de integração”, acredita Isabel Ladeira

Por Aisla Vasconcelos

Fotos: Portal Infonet

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