Seec aposta no fim da paralisação

A secretaria de Estado da Educação e da Cultura (SEEC) ainda não sabe a quantidade de professores que aderiram à greve deflagrada na última segunda-feira pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Rio Grande do Norte (Sinte/RN). Mas, de acordo com titular da pasta, Betânia Ramalho, a paralisação deverá ser encerrada, nos próximos dias, por inanição do movimento. “No interior, a adesão é praticamente nula. Mesmo nos locais onde o sindicato tem presença mais forte, poucas escolas estão sem aula”, informou. Para a gestora, dívidas com um escritório de advocacia podem explicar a paralisação definida pelo sindicato.

A secretária convocou a imprensa, na manhã de ontem, para explicar o posicionamento da SEEC diante da mais nova paralisação dos servidores. Além de Betânia, o procurador-geral do Estado, Miguel Josino, conversou com a imprensa. Segundo Betânia, os professores não estão participando da greve porque reconhecem os avanços conquistados nos últimos três anos. “Desde que essa equipe técnica assumiu a secretaria, colocamos em vigor um plano de resgate dos direitos dos professores. O profissional sabe  que conquistou melhorias nesse período”, explicou.

Entre os benefícios, a secretária pontuou as promoções verticais, realização de concurso público e melhoria salarial. Os dados da SEEC apontam para um reajuste acumulado superior a 91% no triênio passado.  A secretaria informa ainda que o salário de um professor em início de carreira subiu de R$ 930,00 para R$ 1.780,00. O Sinte/RN refuta as informações e acusa a secretaria de não cumprir com alguns acordos firmados ano passado.

Baseados em números e na “baixa adesão dos professores à greve”, Betânia Ramalho e Miguel Josino apontaram duas explicações para deflagração da greve: questões políticas e decisões administrativas desfavoráveis ao sindicato. O primeiro item, segundo Betânia, é notório e de fácil percepção. “A própria presidente do sindicato já afirmou que a greve não é contra a secretaria e sim contra a governadora Rosalba Ciarlini. O que podemos fazer?”, questionou.

Já com relação às decisões administrativas contrárias aos interesses dos sindicalistas, há duas informações que reforçam  a tese de uma queda de braço entre as partes. Alegando irregularidades, no ano passado, a SEEC convocou mais de 40 professores que estavam cedidos à direção do Sinte/RN. Alguns não responderam ao chamamento e processos administrativos foram abertos contra os profissionais.

Miguel Josino revelou outro dado que pode explicar a briga entre sindicalistas e gestão estadual. Por causa de um processo movido contra a SEEC, o sindicato precisa pagar os honorários advocatícios e custas processuais que somam mais de R$ 2 milhões. Esse valor seria rateado entre os cerca de 20 mil professores. Para pagar a dívida, o Sinte/RN solicitou que a secretaria realizasse o desconto em folha de pessoal: 10% para os sindicalizados e 20% para os não sindicalizados. A secretaria atendeu parcialmente a solicitação.

O desconto foi feito na folha do último mês daqueles que pertencem ao sindicato – cerca de quatro mil professores. Já os professores que não pertencem ao sindicato – a maioria – não foram taxados. “O sindicato quer que esse valor seja descontado na folha de pagamento dos professores, mas nós não podemos fazer isso com aqueles que não são sindicalizados. Quem quer ajudar a pagar essa dívida do sindicato, tem que assinar uma autorização para que a secretaria efetue a transação”, explicou Josino.

O procurador-geral disse ainda que a atual administração tentaacabar com a “promiscuidade” dentro da SEEC. “A quem interessa essa greve? Essa atitude do sindicato mostra a deliquescência dos seus dirigentes”, taxou Miguel Josino. Ele acrescentou que o corte de ponto dos grevistas está confirmado e não há intenção de pedir, na Justiça, a ilegalidade da greve. “Não estamos pensando nisso”, disse.

FONTE: Jornal Tribuna do Norte, 01/02/14

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