Uma visão crítica das metas do novo Plano Nacional de Educação (PNE) O que deve ou não ser cumprido

Republico matéria do site Globo.com, 24/09/2011

Ao todo, são 20 metas a serem cumpridas para a melhoria da educação no país até 2020, um número bem diferente das 296 estipuladas no antigo Plano Nacional de Educação (PNE), que vigorou entre 2001 e 2010. Mesmo que as intenções do governo sejam em prol de um ensino de qualidade, o que pode ser visto no novo plano com credibilidade, ou ceticismo, segundo especialistas em educação?

Para o professor Cesar Callegari, membro da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação, uma das metas na qual o Brasil está avançado é com relação ao acesso de crianças de 4 a 17 anos à escola. “Estamos caminhando para universalização da pré-escola ao ensino médio, pois o governo tem como garantir a matrícula dessas crianças. Por outro lado, estamos muito distante da realidade no que diz respeito à equiparação dos salários dos professores com o de profissionais de outras áreas. Além disso, será difícil fazer com que 50% das escolas funcionem em período integral, pois precisamos de dinheiro e equipamentos para isso”, explica Callegari.

Na opinião de Mozart Neves, membro do conselho do movimento Todos Pela Educação e autor do livro “Educação Sustentável” (Editora Altana), as metas mais atrasadas são relativas ao percentual dos jovens entre 18 e 24 nas universidades. Segundo ele, hoje o Brasil tem 2,6 % de jovens na universidade e será difícil alcançar os 33% previstos. “A meta do ensino superior só vai ser impactada se houver uma melhora significativa na educação básica. Outra meta difícil de ser alcançada é o financiamento à educação, já que diante do atual cenário internacional, incluindo a crise na Europa, o Brasil terá reflexos em seu crescimento, refletindo também no PIB”, alerta Mozart.

O especialista adverte que outro grande desafio diz respeito à creche. “Ainda estamos atrasados nesse segmento, pois o Brasil só tem 19% das crianças de 0 a 3 anos na escola. O problema é que a creche requer muito mais investimento, pois o valor desse aluno é mais do que o dobro pago na Educação Básica. As prefeituras não têm recursos para esse tipo de atendimento, e se não tiver apoio do governo, vai ser difícil chegar a 50% das crianças na creche. Do ponto de vista educacional, uma criança bem nutrida pode ter um desenvolvimento importante ao longo de sua vida”, lembra.

Na visão de Daniel Cara, coordenador geral da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, o país está atrasado não somente em relação às metas da educação infantil, mas também no que tange a valorização do professor. “Essas áreas são as ‘pontas’ da educação brasileira. O acesso às creches é elitizado, assim como o acesso às universidades. Desde a década de 60, o Brasil vem sucateando a categoria do professor. Uma medida para reverter esse quadro seria a melhoria das condições salariais. Isso nunca foi levado a sério por governo nenhum. Hoje, o piso salarial do professor é de R$1.187,00”, diz Daniel.

Foto: Fabiana Carvalho

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