Analfabetismo

EDUCAÇÃO: RESULTADOS INEXPRESSIVOS
Repúblico matéria do jornal Tribuna do Norte, Natal, 18/04/2010
Valdir Julião – repórter

A meta do governo estadual para diminuir os índices de analfabetismo é ambiciosa: alfabetizar 150 mil jovens e adultos este ano. Mas o Programa Brasil Alfabetizando do governo federal, que aqui já foi denominado de “Lendo e Aprendendo” e agora é chamado de “RN caminhando”, apresenta resultados inexpressivos em relação a outros estados da região Nordeste. O Rio Grande do Norte, que ocupava o quarto lugar, com uma taxa de analfabetismo de 22,7% em 2002, seis anos depois passou para a sexta posição, com um índice de 20,%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Entre 2002 e 2008, a variação da taxa de analfabetismo das pessoas com 15 anos ou mais de idade no Rio Grande do Norte foi de – 11,9%, a menor dentre os nove estados nordestinos, de acordo com a “Síntese de Indicadores Sociais”, documento divulgado em 2003 e no ano passado pelo IBGE.

No contexto do Nordeste, o Rio Grande do Norte ocupava em 2002 a primeira colocação no índice de analfabetos funcionais, com 35,6%, mas em 2008 caiu para a terceira posição, com 30,3% e uma variação de – 14,9 %, também a menor entre os estados nordestinos.

Em fevereiro deste ano, o então secretário estadual de Educação, Ruy Pereira (falecido), disse no encerramento da capacitação de 5.500 educadores do programa “RN Caminhando”, que em 2009 foram alfabetizados 32 mil adultos no Estado, um contingente de pessoas que se encontra, em sua maior parte, nas periferias de cidades de médio e pequeno porte e na zona rural, com média de 52 anos de idade. Na época, ele dizia que a rede de 735 escolas públicas estaduais estaria comprometida com o programa, que no Rio Grande do Norte envolverá recursos, este ano, de R$ 5,9 milhões.

Para uma das dirigentes do Instituto de Desenvolvimento da Educação, a psicopedagoga Cláudia Santa Rosa, só existe uma maneira para se tentar reduzir os índices de analfabetismo no país e em estados pobres, como o Rio Grande do Norte – investimentos no ensino fundamental: “Para erradicar o analfabetismo não tem outro jeito, a não ser cuidar das crianças”.

Para Cláudia Santa Rosa, se houver um cuidado maior com a alfabetização, garantindo-se que todas as crianças e adolescentes tenham vagas e condições de aprendizado na escola, “a gente consegue daqui a uma ou duas gerações erradicar o analfabetismo”.

Porém, com o número de analfabetos que existe hoje, Cláudia não enxerga tanto otimismo: “A gente tem condições de atenuar o problema, erradicar, se cuidar da base, das crianças, eu diria que é quase uma tarefa impossível”.

Na sua opinião, os programas de alfabetização no Brasil carecem de uma melhor organização e estruturação e de um mínimo de acompanhamento. “Os programas precisam sim, de serem desenvolvidos por profissionais capacitados e ter uma vinculação com as escolas, que são as instituições legitimadas para desenvolver o processo de alfabetização e escolarização”.

Segundo ela, outras instituições podem até desenvolver esse trabalho, desde que seja realizado de preferência por professores e o mínimo de condições, “porque a bolsa que é oferecida, corre o risco do profissional não se interessar”.

No caso, as portas se abrem para qualquer pessoa, “algumas boas outras não, algumas competentes outras não, para seguir realmente as orientações ou para auferir outras vantagens”. Enfim, ela acha que é preciso se corrigir mecanismos de controle, de acompanhamento, que seja mínimo para se ter um trabalho reconhecido e validado.

error: Conteúdo protegido para cópia.
Menu e Busca