Aprovação do Ensino Fundamental sobe 5,5% em cinco anos

Da Redação

Dados se referem ao período entre 2007 e 2011; taxa mais recente é de 86%

O índice de aprovação no Ensino Fundamental (EF) na rede pública brasileira apresentou melhora de 5,5% nos últimos cinco anos. Em 2007, essa taxa era de 81,8%. Já em 2011, passou a ser de 86,3%. Os dados sobre o ano passado foram divulgados neste mês pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep).

Os dois ciclos apresentaram melhora no período analisado. A aprovação no EF I pulou de 84,6% para 90,2%. Já no EF II, as taxas passaram de 78,2% para 81,8%.

A melhora da mais longa etapa da Educação Básica também aparece na queda das taxas gerais de reprovação e abandono no mesmo período. Em 2007, o índice de reprovação era de 13%. Em 2011, caiu para 10,6%.

Já o percentual dos que abandonaram a escola durante o EF foi de 3,1% em 2011 – em 2007, era de 5,2%.

Na tabela abaixo, é possível comparar os dados, por ano do EF, de 2007 e 2011.

Ano Total Anos Iniciais (1.º ao 5.º Ano) Anos Finais (6.º ao 9.º Ano) 1.º Ano 2.º Ano 3.º Ano 4.º Ano 5.º Ano 6.º Ano 7.º Ano 8.º Ano
9.º Ano
2007 81,8% 84,6% 78,2% 92,5% 80,3% 82% 86,5% 86,2% 74,5 78,7 81,1 80
2011 86,3% 90,2% 81,8% 96,3% 91% 85,4% 89,9% 89,5% 78,1 81,9 83,9 84,1

Fonte: Inep 2011.

Para Antônio Batista, coordenador de desenvolvimento de pesquisas do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), a Educação Básica progrediu, mas ainda há um longo caminho a ser percorrido. “Os resultados são positivos, mas poderiam ser ainda melhores. O que podemos perceber é que as políticas aplicadas no Fundamental I e os bons resultados apresentados estão começando a refletir no ciclo II”, explica.

Tufi Machado Soares, especialista em avaliações educacionais e professor da Universidade Federal de Juiz de Fora, concorda. “Houve um esforço louvável de políticas focadas nos anos iniciais do Fundamental nas últimas décadas”, lembra. “Ainda há muito que se fazer, como diminuir as taxas de reprovação no começo. É inconcebível reprovar uma criança que acaba de entrar no sistema.”

Ele também destaca que a evolução na coleta dos dados pelo Inep também tem impacto na melhoria do diagnóstico.

As diferenças entre as taxas apresentadas pelas redes, estados e regiões do Brasil também devem ser consideradas, segundo os especialistas.

“Há casos de diferenças de 10 pontos percentuais entre as regiões, o que é bastante complicado. Mas há exemplos positivos: a Região Sudeste, com 90% de aprovação na rede pública, mostra que é possível aumentar o índice, que deveria ser, em todo o País, de 95%”, explica Ruben Klein, consultor da Fundação Cesgranrio e especialista em rendimento escolar. “Estamos melhorando, mas o progresso só vai chegar quando a aprovação subir mais ainda – para 95% – e quando caírem as taxas de reprovação e abandono – esta deve ficar próxima de zero.”

Transição
A série do Ensino Fundamental que apresenta os piores resultados de aprovação, reprovação e abandono é, historicamente, o 6º ano (a antiga 5ª série, quando a etapa tinha oito anos de duração). Em 2011, a taxa de aprovação foi de 78,1%. O abandono também foi o mais alto, apesar de apresentar uma tendência de queda: 5,3%.

Segundo especialistas em fluxo e rendimento escolar, o 6º ano é historicamente a série com os piores dados por ser uma fase de transição dos alunos.

“É a antiga saída do primário para o ginásio. O aluno passa de uma situação onde tem apenas um professor polivalente para uma dinâmica de um professor por disciplina. É um novo começo, um ano de muita tensão para o aluno. Além disso, muitos mudam de escola – e, consequentemente, de rede. Isso tudo deve ser considerado”, explica Klein.

Para ele, a escola deveria dar atenção especial e acompanhamento específico para essas turmas. “O aluno com dificuldade tem que ter recuperação imediata. Mas não o modelo de recuperação que temos hoje, em que o conteúdo é repetido da mesma forma e o aluno, que não aprendeu antes, obviamente continua não aprendendo. O modelo atual não funciona e está bem longe de ser eficaz.”

Fonte: Mariana Mandelli
Do Todos Pela Educação

Foto: João Bittar/MEC

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