Contágio

Republico matéia do site do Zé Dirceu17/11/2011

Ouvem-se tosses na tela escura… Aparece o rosto quase irreconhecível de Gwyneth Paltrow, pálida e suando…

Um número na tela: 2º dia.

Corte para a barca que atravessa a baía de Hong Kong. Um rapaz com o rosto brilhante de suor, aparentando febre alta, sai trôpego pelas ruas da cidade.

Londres. Dentro de um Rolls Royce, uma garota rica e “chic” fala ao telefone. Seu rosto pálido lembra o de Gwyneth Paltrow. Na próxima cena ela está caída no mármore do banheiro de um apartamento luxuoso. Criados correm para acudi-la.

Tóquio. Um homem perde o equilíbrio e cai num ônibus. As pessoas ao lado, assustadas, ficam paralisadas.

A câmara volta ao rapaz de Hong Kong. Ele passa pelo mercado ao ar livre. Toca nos peixes que caem no chão quando ele tropeça nas bancas dos feirantes. Todos o olham alarmados e o rapaz, aparentemente sem controle de seus movimentos, é atropelado por um ônibus.

Em Atlanta, Estados Unidos, Matt Damon, que é casado com Beth (Gwyneth Paltrow), vai buscar o filho no colégio porque ele está com os mesmos sintomas que a mãe de volta da China: febre, suor frio, fraqueza.

Quando ele chega em casa, tem que levar correndo Beth para o hospital porque ela começa a ter convulsões.

Assim, secamente, em tom documental, sem música tonitruante nem apelos sentimentais, é o novo filme de Steven Soderbergh, o famoso diretor de uma das mais fascinantes e assustadoras produções do cinema, “Traffic”, de 2000, sobre o narcotráfico. Esse filme ajudou a ver o tamanho da encrenca que estávamos enfrentando quase que ingênuamente naquele momento.

Ora, em “Contágio” o inimigo é ainda mais ameaçador, porque invisível e insidioso. Aqui não sabemos nem de onde vem o vírus, nem como se passa a doença de um ser humano para outro. Só sabemos que é mortal. A paranóia ataca a todos.

Um blogueiro (Jude Law) que passa a entrevistar os cientistas e a fazer contato com lobistas, não ajuda em nada e mostra como alguém assim pode só atrapalhar.

Quando o número de mortos avança pelo mundo a fora, os únicos que podem ajudar a humanidade são os cientistas dos grandes centros de pesquisa. Em Atlanta, o Centro de Controle e Prevenção e Doenças, em Genève, a Organização Mundial de Saúde e outros médicos abnegados, vão ser os heróis dessa saga contra o vírus desconhecido.

Ajudados pelos governantes dos países enlutados e apavorados, esses homens e mulheres (Marion Cotillard, Kate Winslet, Elliot Gould, Laurence Fishborne) vão fazer tudo o que podem para ganhar a batalha que ameaça exterminar grande parte da população do planeta, mais perigosa ainda do que a gripe espanhola no começo do século XX.

Mas não é uma luta fácil e a batalha é longa e dura.

O pior é que é possível que se torne realidade… Enquanto o ser humano não se conscientizar do respeito com que deve tratar a natureza, tudo pode acontecer…

Vamos ver “Contágio” e aprender com essa lição?

Eleonora Rosset é psicanalista.

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