CUT sedia 9º Congresso do SIGTUR

FORTALECIMENTO DO PAPEL DO ESTADO E DOS MEIOS DE COMUNICAÇÃO SINDICAL PARA A DISPUTA DE HEGEMONIA NO CENTRO DO DEBATE
Repúblico matéria do site da CUT, 19/04/2010

A mesa de debates do 9º Congresso da Iniciativa do Sul frente à Globalização pelos Direitos dos Trabalhadores (SIGTUR) que aconte no Hotel Braston, na capital paulista, contou nesta segunda-feira com análise de conjuntura do australiano Rob Lambert – que coordena esta Rede de Centrais Sindicais do Hemisfério Sul – e a direção de Bongani Masuku, da Cosatu, central sindical da África do Sul.

Entre as soluções elencadas pelas centrais para combater a crise, que continua soprando desde os países capitalistas centrais – e destroçando economias como vimos recentemente na Grécia -, está o fortalecimento do papel do Estado e dos meios de comunicação sindical para a disputa de hegemonia, construindo alternativas afirmativas de inclusão e justiça social.

Fazendo um breve histórico da conformação do SIGTUR, cujos primeiros passos foram dados em 1991 a partir de uma articulação entre sindicalistas australianos e sul-africanos, Lambert sublinhou a relevância de uma ação de classe cada vez mais propositiva, “de enfrentamento à globalização neoliberal e à lógica do livre mercado, que destrói países e povos e está acabando com a natureza”.

“Com base nas nossas melhores tradições, precisamos fazer dos nossos Sindicatos máquinas de combate não só para ampliar direitos e conquistas da classe trabalhadora, mas para garantir a sua efetiva emancipação do jugo do capital”, acrescentou Lambert. O coordenador do SIGTUR apresentou inúmeros dados sobre o processo de financeirização da economia, do furor especulativo e seus impactos nas diferentes economias. Diante do fracasso da globalização neoliberal e da irradiação da crise aos países mais vulneráveis, ressaltou, é hora de debatermos “a construção de um novo modelo que enfrente a devastação e a irracionalidade de um sistema capitalista que gasta bilhões de dólares para salvar bancos falidos enquanto condena centenas de milhões de seres humanos à miséria”.

O líder africano Bongani Masuku lembrou das imensas potencialidades do continente negro, frisando que as suas enormes riquezas foram historicamente fonte de tragédias como o colonialismo, o neocolonialismo e o imperialismo, que semearam divisões e espalharam guerras entre os seus países para facilitar a dominação. “Hoje, quando tomamos conhecimento e vamos para o enfrentamento, as multinacionais se utilizam dos grandes meios de comunicação para tentar barrar a construção de caminhos alternativos. Controlam o sistema de conhecimento, a produção e a distribuição de notícias, sumindo com os sindicatos e suas conquistas do noticiário para que os trabalhadores fiquem sem referência”, denunciou. Para o dirigente da Cosatu, este é o momento de investir na conformação de redes de comunicação sindical, que potencializem a luta desde uma ótica classista.

O secretário de Relações Internacionais da Central Única dos Trabalhadores do Brasil, João Felício, enfatizou que os sindicalistas não podem perder a perspectiva da conquista do poder político, elemento essencial para a efetivação de um novo patamar de direitos. Para esta disputa de hegemonia, lembrou, é fundamental a construção e fortalecimento de meios de comunicação próprios, que afirmem a pauta dos trabalhadores e das entidades populares com os quais precisam estar permanentemente articulados. O dirigente cutista disse que “no combate à crise em nosso país, a atuação dos movimentos sindical e social foi determinante, apostando no fortalecimento do Estado como agente indutor do mercado interno e de políticas públicas, na valorização do salário mínimo, na distribuição de renda, no papel dos bancos estatais”.

A secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, destacou a importância das políticas públicas afirmativas como as cotas para as mulheres e para negros e negras, como “exemplos concretos de compromisso com a justiça social e a melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro”. A respeito da ação do governo federal na defesa do nosso mercado, Bertotti lembrou da recente rodada da OMC (Organização Mundial do Comércio), onde a representação oficial se somou à reivindicação dos agricultores para que o país não fosse prejudicado pelas políticas de incentivo agrícola do governo estadunidense. “Estes e outros avanços são invisibilizados ou manipulados pela mídia, poiis os donos dos grandes jornais e os que detêm das concessões públicas de rádio e televisão se colocam como partido de oposição ao governo”, condenou.

“Para nossa central, o fortalecimento do papel do Estado, tendo como experiência o que ocorre em nosso país a partir da assunção do Partido dos Trabalhadores e a retomada do desenvolvimento, da garantia do diálogo social e da conquista concreta de mais empregos, salários e direitos, é algo que precisa ser difundido e coletivizado”, declarou Expedido Solaney, secretário nacional de Políticas Sociais da CUT. Na avaliação de Solaney, o Congresso do SIGTUR está sendo um momento marcante para “debater este acúmulo com o conjunto das centrais do Sul, para que a classe trabalhadora seja cada vez mais protagonista do debate e da ação, se elevando para dirigir a nação rumo a um futuro com mais justiça social, rumo ao socialismo”.

Conforme Adolfo Aguirre, secretário de Relações Internacionais da CTA (Central de Trabalhadores da Argentina), cada vez mais está sob os ombros da classe operária “escrever de que forma se constrói este outro mundo possível”. “Necessitamos dar à nossa intervenção a importância do futebol: investindo na defesa e no meio campo, mas também muitíssimo no ataque, pois para vencer é necessário fazer gols”, asseverou.

Em nome da CUT Colômbia, Luis Francisco Maltes defendeu – com o aplauso do plenário – um pronunciamento mais incisivo contra os TLCs (Tratados de Livre Comércio), como os acordados pelo desgoverno de Álvaro Uribe, que “deixam vulneráveis a economia dos nossos países e expõem nossos trabalhadores a uma superexploração ainda maior pelas multinacionais”.

Dirigente da UNTA (União Nacional dos Trabalhadores de Angola), Maria Fernanda também enfatizou a necessidade de ampliar a solidariedade e a comunicação entre o conjunto das centrais para fazer frente aos abusos do capital. “Nosso país é muito rico em recursos naturais, em diamante, petróleo, ouro, mas temos 70% da nossa população na extrema pobreza. Nossa compreensão é que só a unidade faz a força e é a nossa ação que poderá construir um país e um mundo melhor”, concluiu.

error: Conteúdo protegido para cópia.
Menu e Busca