Dilma: “Ascensão do neofascismo bolsonarista piorou muito a vida das mulheres”

POR Rede BRasil Atual, 08/03/2020

DIA DE LUTA CONTRA O MACHISMO DE UM GOVERNO QUE APOIA A VIOLÊNCIA

Do Dilma.com.br

Convido as mulheres brasileiras a participar das manifestações deste domingo em todo o Brasil em defesa dos nossos direitos e contra o feminicídio, a violência, o machismo e a misoginia.

Hoje, no Brasil, lutar contra o machismo é lutar pela vida.

Vivemos tempos difíceis para as mulheres. Desde a redemocratização, nunca se viu tanta misoginia, tanto machismo e tanta violência, autorizados pelos que governam o país.

O machismo e a misoginia do presidente, como foram praticados contra a deputada Maria do Rosário, autoriza a violência, os estupros e os assassinatos.

O feminicídio aumentou 7%, em 2019.

Entre 3 a 4 mulheres são assassinadas por dia no Brasil de Bolsonaro.

Machismo e misoginia causam sofrimento, ferem e matam.

Quem verbaliza a misoginia e o machismo incentiva a violência.

Simone de Beauvoir disse que “ninguém é mais arrogante, agressivo e desdenhoso com as mulheres do que o homem que duvida de sua virilidade”.

Não posso deixar de homenagear as mulheres que sucumbiram à violência dos homens e do estado.

Como Marielle Franco, brava lutadora em defesa dos direitos humanos, cujo assassinato completa dois anos sem que as autoridades tenham esclarecido o crime.

A violência assassina das milícias e seus cúmplices deve ser apurada, doa a quem doer.

A luta de todas nós é a luta dos que querem uma sociedade de paz e de bem viver.

Uma luta pela civilização, pela soberania, pela vida e contra a discriminação de pobres, negros, LGBTIs. Uma luta pela terra, em defesa do meio ambiente e das populações indígenas.

As mulheres não querem privilégios, querem direitos.

Direito ao trabalho remunerado, a salários iguais por funções iguais, à disputa justa por promoções, à liberdade de trabalhar sem sofrer assédio, à equidade e ao empoderamento nas funções políticas.

As mulheres querem viver sem medo, tanto nas ruas quanto dentro de suas próprias casas.

Que o estado as proteja de agressores e assassinos e que polícia faça seu trabalho e não desdenhe das ameaças e das agressões que sofrem.

E que o presidente não nos ameace.

DESTRUIÇÃO DE DIREITOS

Ao destruir programas de proteção social como o Bolsa Família, o MCMV e a Casa da Mulher Brasileira, que nós do PT implantamos e que tinham as mulheres como titulares dos benefícios, o governo neofascista mostra seu desprezo pelas mulheres e pelos mais pobres.

O ministro da Economia mostrou sua visão reacionária e seu desprezo pelas mulheres que trabalham como empregadas domésticas, acusando-as de gastar dólares, desvalorizar o real, ao “viajar” para a Disney.

Esta é uma visão de fundo escravista, de quem não respeita o trabalho dedicado, mal pago e, até há pouco desprotegido.

Só no meu governo as trabalhadoras domésticas tiveram seus direitos trabalhistas e previdenciários reconhecidos.

No mundo, 42% das mulheres e meninas executam mais de 75% dos trabalhos não-remunerados, como cuidar de casa, de crianças, de idosos e de pessoas doentes, segundo relatório da Organização Oxfam.

Isto prova que a desigualdade é sexista e misógina.

A destruição do Bolsa Família por Bolsonaro atinge fortemente as mulheres que sofrem por não terem direito de alimentar seus filhos.

Mais de 1,5 milhão de famílias foram excluídas do programa.

Bolsonaro congelou o Bolsa Família nas 200 cidades mais pobres do país.

Basta!!!

Em época de coranavírus, com a volta do sarampo e da desnutrição infantil, são as mulheres, sobretudo as gestantes e mães de crianças pequenas, que mais sofrem com a destruição do Mais Médicos, programa que criamos e que atendeu 63 milhões de brasileiros.

Nos nossos governos, o Minha Casa Minha Vida destinou às mulheres a posse das mais de 3 milhões de moradias.

Desde que Bolsonaro assumiu, o programa teve as verbas reduzidas e está praticamente reduzida a zero a oferta de moradias para os mais pobres.

Com as politicas de educação dos nossos governos, as mulheres passaram a ter mais anos de escolaridade que os homens e, ainda assim, até hoje ganham 41,5% menos do que eles.

Em 2018, a renda per capita da mulher era de US$ 10,432, contra US$ 17,827 do homem.

Esta injustiça precisa acabar.

A ascensão do neoliberalismo e do neofascismo bolsonarista piorou muito a vida das mulheres.

O desmonte dos direitos sociais atinge sobretudo as mulheres negras, que são as que mais trabalham, as mais pobres e as mais responsáveis por cuidar da vida de terceiros.

Nós criamos leis que tipificaram o feminicídio, tornando o assassinato de mulheres crime hediondo. Instalamos casas para abrigar as mulheres vítimas da violência doméstica.

Bolsonaro acabou com os programas de proteção, tornando as mulheres mais vulneráveis.

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