Identidade do Professor e a Qualidade da Educação

ROBERTO LEÃO FALA SOBRE A PERDA E A CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE DO PROFESSOR
Republico matéria do site da CNTE (link ao lado), 30/04/2010

Em seminário, trabalhadores debatem o ofício que vem perdendo adesão dos universitários

O presidente da CNTE, Roberto Leão, esteve nesta sexta-feira do seminário “A Identidade do Professor e a Qualidade da Educação”. No debate, que aconteceu na Câmara Municipal de São Paulo, fori discutida a importância das condições de trabalho adequadas para a construção de uma identidade do professor. Segundo Leão, a falta de amparo na profissão, desestimula o educador.

“Quando falo de valorização não falo só de salário. A discussão hoje é a falta de perspectiva que termina fazendo com que ele perda cada vez mais suas características, seu perfil. Os professores ficam desiludidos com a tarefa de ensinar, educar e preparar para a cidadania”, explica o presidente da Confederação.

Para Roberto Leão, a construção da identidade do professor depende de uma soma de fatores essenciais para a categoria. Saúde no trabalho, material didático adequado e salários que valorizem os educadores são alguns exemplos. Outras questões são o número excessivo de aulas, as classes superlotadas e a falta de perspectiva de uma carreira que permita a ele um percurso profissional com tranqüilidade, que também influem na qualidade do ensino e da educação.

“Se você é identificado como professor, como alguém que tem a tarefa de transmitir conhecimentos de preparar para a vida, esta identificação deve ser plena. É necessário que você se sinta realizado na profissão”, finaliza.

Um dos cursos menos procurados pelos universitários
De acordo com pesquisa divulgada em fevereiro deste ano, a profissão se torna cada dia menos atrativa para os alunos que ingressam no ensino superior. Entre eles apenas 2% pretende ingressar na carreira do magistério. O levantamento conduzido pela Fundação Carlos Chagas consultou 1500 alunos de escolas públicas e particulares do ensino médio de todo o país. Os resultados ainda são agravados por saber que entre os poucos que optaram pela pedagogia figuram o grupo de 30% de alunos com piores notas na escola.

A situação de desprestígio da carreira de professor é o retrato final de um processo deflagrado na década de 70, quando se iniciou no país uma acelerada massificação do ensino público. Sem profissionais em número suficiente para suprir a galopante demanda, as escolas passaram a recrutar até leigos para dar aulas. Foi aí também que as faculdades de pedagogia e as licenciaturas proliferaram à revelia da qualidade acadêmica, e os salários começaram a cair.

A remuneração dos professores é, por sinal, o segundo fator elencado pelos jovens de hoje para nem sequer cogitarem o magistério, atrás de um item que se refere à completa falta de identificação com o ofício, segundo mostra a pesquisa da Fundação Carlos Chagas.

A história pode ser diferente
Países onde o ensino prima pela excelência, como Coreia do Sul e Finlândia, encontraram bons caminhos para atrair os alunos mais brilhantes às faculdades de pedagogia – experiência que pode ser útil também ao Brasil. Ela indica que elevar o salário dos professores é apenas uma das estratégias eficazes, mas não a de maior impacto. O que realmente suscita o fascínio dos melhores alunos pela docência diz respeito, acima de tudo, à possibilidade descortinada pela carreira de verem seu talento reconhecido e sua capacidade intelectual estimulada.

Ouça em A voz da Educação

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Fonte: CNTE com informações da Revista VEJA, 30/04/2010

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