Tablets só para os professores

Republico matéria do Correio Braziliense, 03/02

Depois de muitas indefinições, a proposta do Ministério da Educação (MEC) de disponibilizar tablets – computadores portáteis semelhantes a uma prancheta – nas redes públicas de ensino começa a sair do papel. Mas com mudanças. À frente da pasta há cerca de uma semana, Aloizio Mercadante anunciou ontem que os professores – em vez dos alunos, como era esperado – receberão o equipamento. O projeto Educação Digital será implementado inicialmente nas 58.700 escolas públicas brasileiras com banda larga e localizadas em áreas urbanas. A meta do MEC é entregar os computadores até o fim deste ano aos docentes do ensino médio.

Segundo o ministro, o programa foi formulado e finalizado na sua gestão, apesar de já estar em discussão há mais de um ano na Esplanada. “Eu tenho estudado isso há anos. Inclusive, quando estava no Ministério de Ciência e Tecnologia já estávamos prevendo essa compra.” Mercadante afirmou que o MEC vai assumir integralmente a compra de 600 mil tablets. O orçamento deste ano da pasta prevê um gasto de cerca de 180 milhões de reais com as pranchetas.

Na visão de Mercadante, a inclusão digital deve começar pelos docentes. “Eles são os agentes desse processo, que será muito mais eficiente se os professores estiverem preparados”, ponderou. O ministro esclareceu que atualmente cerca de 337 mil professores foram capacitados, por meio de cursos ofertados pelo MEC, para lidar com os avanços digitais. Mas, segundo o ministro, eles não são obrigados a participar da formação. “Os números demonstram que há um interesse grande dos professores”, avaliou

Dados do Censo Escolar 2010 – o último disponibilizado pelo MEC – mostram que existem no Brasil cerca de 70 mil computadores nas escolas da rede pública e 51 mil laboratórios de informática instalados. Apesar do atraso tecnológico, o ministro afirma que a proposta dos tablets não inviabiliza o desenvolvimento de outros projetos digitais criados pela pasta. Segundo Mercadante, eles são complementares. “A evolução hoje é muito rápida e intensa. As escolas precisam acompanhar e contribuir para formar essa nova geração tecnológica. O direito de ingressar nesse novo mundo tem que ser de todos. É uma tecnologia amigável, temos que começar.”

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